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OS PAIS II - a missão continua

Diálogos inesquecíveis:
CASO 1. 
MÃE: tenho 6 filhos, cada um de um pai, agora moro com o pai desse que está no colo. Moro com ele porque ele mora mais embaixo do morro. Minha mãe mora muito lá em cima e com essa criança doente fica inviável morar com ela. Meu filho, seu aluno, desistiu de morar comigo. Ele me via apanhando do pai desse aqui ( o bebe de colo) quase todo dia, ficou revoltado. Desistiu de morar comigo por isso. Foi morar com a avó.
EU: Seu filho falta muito a aula, mãe. Ele é um dos meus melhores alunos, mas falta demais! Você precisa conversar com ele sobre a importância dos estudos todos os dias, mãe.
MÃE: eu falo, professora! O problema é que ele está revoltado com a minha situação. Mas eu falo pra ele não ficar revoltado.
EU: Mãe, não adianta dizer o que ele tem que fazer. Se você não mudar como pode exigir dele a mudança???
MÃE: Mas eu preciso do pai desse aqui, professora! É melhor apanhar e ter o dinheiro dele. Se eu o abandonar ele não vai me ajudar em nada.
EU: .............................. (silenciei)

CASO 2
MÃE: Apanhava todos os dias do meu ex-marido, professora. Eu sustentava a casa e ainda apanhava. Meus filhos viviam com medo, eu vivia com medo, era terrível!! O meu filho, seu aluno, lia e escrevia bem. Só que com tantos problemas em casa ele foi desaprendendo tudo. Aí, cansei! Juntei dinheiro e aluguei um cubículo. O lugar é horrível, mas quando aluguei parecia o melhor lugar do mundo! Nem vi os defeitos. Estamos morando lá agora: eu e o meu filho. As filhas já casaram.
EU: Que linda história, mãe! Chamei você aqui pra dizer que seu filho tem melhorado bastante!
MÃE: Que bom professora! Tudo isso foi depois da separação. Agora a gente vive com paz!

CASO 3:
MÃE: Descobri que ele (o filho- meu aluno) estava usando drogas. Aí, domingo, bati tanto nele, mas tanto, tanto que o deixei com marcas no corpo. Disse pra ele que ia na rua pra comprar um cigarro bem grande de maconha e ele teria que fumar tudo na minha frente. Quando eu voltei ele já estava dormindo.
EU: É, mãe....você bateu e deixou marcas no domingo. Na segunda, ele, ainda revoltado, veio pra escola, agrediu um colega, me desrespeitou e, não satisfeito, ameaçou a mim e a um colega nas ruas da escola. Eu filmei tudo mãe. E, para não prejudicá-lo e o denunciar, estou pedindo a transferência do seu filho da escola.
MÃE: Mas eu não acho justo! Ele não brigou sozinho! Ele vai ser transferido e o outro não??
EU: Sim, mãe. Porque quem me ameaçou foi ele e não o colega. Lido com briga entre eles todos os dias e se fosse chamá-la na escola a cada problema que seu filho me causa você precisaria vir semanalmente. Se não a chamo é porque tenho o domínio da turma para resolver sem a interferência dos pais. Mas ameaça ,mãe? Isso não! Não vou aceitar manter em sala de aula o meu agressor e olhar pra ele todo dia!
MÃE: (sem argumento) Mas eu não acho justo!
EU: Entendi, mãe. O justo é eu ser ameaçada por seu filho. O justo é você o agredir e ele descontar em mim. Esse é o justo!

Depois desse último diálogo vieram os dias de recesso para acalmar os ânimos de todos nós.

Comentários

  1. Meu Deus...como deve ser difícil lidar com isso todos os dias....que Deus cuide e renove as suas forças e de todos os outros orientadores e colaboradores do sistema de educação, para que não desistam de educar nossas crianças. No fundo, sabemos que tudo isso acontece porque pais e mães não a tiveram e como falar de educação e amor quando não se sabe o que é isso? Triste, muito triste....

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    1. Obrigada pelo carinho da leitura, prima. É triste mesmo. Vendo isso todo dia fica mais triste ainda.

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