A maior parte dos pais de alunos com os quais tive que lidar até agora no Município são pais extremamente ausentes. Muitos adotam uma postura de pais presentes, outros de pais desesperados, mas, no dia a dia, no lidar com os alunos. Noto que não é bem assim. São ausentes, distantes e poucos preocupados. Entretanto são sempre muito CONIVENTES com os filhos: são presenteados quase sempre mesmo não havendo datas festivas ou motivos quaisquer para tal, não disciplinam mesmo com nossa solicitação.....Eu, a psicóloga de plantão, sou capaz de dizer que essa postura provavelmente é uma forma de amenizar suas consciências por tanta ausência. Pode ser......
Agora, quando a postura de CONIVÊNCIA associada a COMPLACÊNCIA vem da escola tudo se torna muito mais complicado.
Uma escola que pretende mudar sua imagem perante a sociedade não pode e não deve ser conivente com os delitos praticados por seus alunos. São crianças e adolescentes que sairão da escola com a visão de que haverá sempre alguém para amenizar seus atos. Para 'passar a mão em suas cabeças' quando errarem. É isso o que eles aprendem com a conivência.
Sem terem a real dimensão de que seus atos já o são criminosos eles não mudaram suas atitudes. Precisam saber que 'fazer guerra de fruta' por toda escola, que quebrar mesas e cadeiras ou sujar as paredes é um dolo ao patrimônio público, que usar drogas na escola é crime, que desrespeitar e ameaçar um professor também é crime. Mas do que saber, precisam ser devidamente punidos por isso. As advertências verbais ou escritas, para o público adolescente na Rede Municipal, não faz diferença alguma em boa parte dos casos. Eles, nem sempre comunicam aos pais sobre seus delitos e, quando o fazem, muitas vezes os pais se esquivam do problema.
Há leis que garantam a escola a tomada de medidas mais severas? É claro que há! Se assim não o fosse, não haveria uma delegacia especializada em crianças e adolescentes. Entretanto medidas dessa natureza dão muito trabalho. Assim, a escola opta por ignorar os fatos. Finge que pune e o aluno finge que foi punido.
É óbvio que o objetivo da escola é ESSENCIALMENTE promover a educação e não a punição. Palestras, debates e afins precisam fazer parte do cotidiano escolar a fim de gerar mudanças. Para punir temos a polícia em primeira instância e a justiça. Contudo há casos e casos. Em algumas situações mais graves é importante delatar tais crimes, sim! Para que os órgãos competentes tomem, a partir daí, as medidas necessárias.
Chegamos a um ponto onde a escola precisa se posicionar para tentar resgatar o respeito e a dignidade que lhe fora tirada. Dela e consequentemente de seus professores. A omissão e a conivência tem levado a escola a caminhos muito tortuosos e dessa forma temos sido reféns da nossa clientela. O problema ainda se agrava quando ultrapassa a conivência e a omissão. Chega à beira da complacência em alguns casos.
Nossos alunos não nos respeitam. Respeitam e temem ao traficante. Humilham e repudiam o professor. E isso não é só responsabilidade dos pais. A escola também precisa entender que sua "autonomia é relativa, pois essa não existe independente do contexto. Ela não se basta por si mesma."*
Utilizo, para termina,r das palavras de Lenides Ribeiro da Silva Almeida em seu artigo "Pierre Bourdieu: a transformação social no contexto de 'A Reprodução'"
Agora, quando a postura de CONIVÊNCIA associada a COMPLACÊNCIA vem da escola tudo se torna muito mais complicado.
Uma escola que pretende mudar sua imagem perante a sociedade não pode e não deve ser conivente com os delitos praticados por seus alunos. São crianças e adolescentes que sairão da escola com a visão de que haverá sempre alguém para amenizar seus atos. Para 'passar a mão em suas cabeças' quando errarem. É isso o que eles aprendem com a conivência.
Sem terem a real dimensão de que seus atos já o são criminosos eles não mudaram suas atitudes. Precisam saber que 'fazer guerra de fruta' por toda escola, que quebrar mesas e cadeiras ou sujar as paredes é um dolo ao patrimônio público, que usar drogas na escola é crime, que desrespeitar e ameaçar um professor também é crime. Mas do que saber, precisam ser devidamente punidos por isso. As advertências verbais ou escritas, para o público adolescente na Rede Municipal, não faz diferença alguma em boa parte dos casos. Eles, nem sempre comunicam aos pais sobre seus delitos e, quando o fazem, muitas vezes os pais se esquivam do problema.
Há leis que garantam a escola a tomada de medidas mais severas? É claro que há! Se assim não o fosse, não haveria uma delegacia especializada em crianças e adolescentes. Entretanto medidas dessa natureza dão muito trabalho. Assim, a escola opta por ignorar os fatos. Finge que pune e o aluno finge que foi punido.
É óbvio que o objetivo da escola é ESSENCIALMENTE promover a educação e não a punição. Palestras, debates e afins precisam fazer parte do cotidiano escolar a fim de gerar mudanças. Para punir temos a polícia em primeira instância e a justiça. Contudo há casos e casos. Em algumas situações mais graves é importante delatar tais crimes, sim! Para que os órgãos competentes tomem, a partir daí, as medidas necessárias.
Chegamos a um ponto onde a escola precisa se posicionar para tentar resgatar o respeito e a dignidade que lhe fora tirada. Dela e consequentemente de seus professores. A omissão e a conivência tem levado a escola a caminhos muito tortuosos e dessa forma temos sido reféns da nossa clientela. O problema ainda se agrava quando ultrapassa a conivência e a omissão. Chega à beira da complacência em alguns casos.
Nossos alunos não nos respeitam. Respeitam e temem ao traficante. Humilham e repudiam o professor. E isso não é só responsabilidade dos pais. A escola também precisa entender que sua "autonomia é relativa, pois essa não existe independente do contexto. Ela não se basta por si mesma."*
Utilizo, para termina,r das palavras de Lenides Ribeiro da Silva Almeida em seu artigo "Pierre Bourdieu: a transformação social no contexto de 'A Reprodução'"
A angústia torna-se maior nos professores pelo fato de ser a escola
uma instituição que atende diretamente aos requisitos da dominação,
produzindo e reforçando as diferenças ao invés de promover a igualdade
e a liberdade prometida. Nesse sentido, os professores, imbuídos inicial-mente de um sentimento de mudança e transformação social, inquietam-se perante o desmascaramento da realidade, questionando sobre o que
resta a fazer se a escola contribui eficazmente para a reprodução desse
sistema. Crescem o descontentamento e a inquietação no exercício da
compreensão dos esquemas de dominação e reprodução; porém,
seguidamente, a acomodação apresenta-se como única realidade possível,
distanciando-se assim as possibilidades de contestação e transformação
dos esquemas sociais estabelecidos.
Nessa panela de pressão só os ingredientes internos costumam se mexer. Quem está à frente da gestão pública da educação parece envolto em tantos problemas que não tem tempo. Sobram professores pressionados, adoecidos, ameaçados; alunos perdidos e também ameaçados; sobra uma educação que se torna invisível, assim como os alunos dos quais você fala no texto anterior.
ResponderExcluirParabéns pelas publicações porque instigam a refletir sobre o que acontece no cotidiano das salas de aula.