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A segunda violência a gente até pode esquecer. Mas aí faz um RO pra ajudar a lembrar


Hoje uma amiga, colega da prefeitura me perguntou: VOCÊ TRATA BEM SEUS ALUNOS? (Entendi o que ela estava querendo dizer. Afinal, já é a segunda situação de violência que passo só esse ano. É engraçado ouvir isso de uma colega que passa pelas mesmas coisas que eu toooodos os dias e sabe o nível dos alunos. Ela, talvez sem perceber, reproduziu o pensamento hegemônico de que o educador tem a CULPA ou a RESPONSABILIDADE do que acontece com a educação no país) Respondi: trato bem sim. Se não o fosse, não teria ganhado festa de aniversário de uma turma (e é importante lembrar que meu aniversário é em Março, ou seja, em pouco tempo de convivência, eles foram gentis comigo). Se não os tratasse bem, não teria sido disputada como professora representante de turma por diversas turmas da escola, não teria tanto carinho e respeito da minha turma de projeto do ano passado como tenho....enfim.

Entretanto, não aceito DESRESPEITO. Ah, não!! O sujeito vai ter que aprender a me respeitar na marra. Encaro igual homem. Eles, até hoje, tem recuado.
Dessa vez, o garoto ficou 'aborrecidinho' porque exigi postura dele. Ele fugiu da sala diversas vezes, tive que ir buscá-lo no corredor, voltou pra sala e não abria a apostila, batia nos colegas.... então, depois de 40 minutos de aula perdida, eu bati na carteira dele e disse: agora chega! Ele ficou resmungando. Eu disse: pode resmungar. Mas faça o trabalho. Ele falou: ‘eu vou te dar porrada! Vou te encher de porrada!’ Ah!!!!!!!!!!!!! Mandei ele vir: ‘Dá moleque! Vamos lá aprender a falar e arcar com as consequências! Agora dá!’ Ele recuou. Expulsei-o de minha sala. Peguei a mochila dele e mandei-o sair. Disse que ele só colocaria os pés ali novamente com a mamãe. Ele, não satisfeito, passou por mim e tentou arrancar a mochila da minha mão. Com violência. Toda a violência que ele podia. Nessas horas acho bom estar fortinha e gordinha. Tenho menos altura, entretanto mais força que ele. Ele não conseguiu. Mas continuou puxando. Fui levando-o para a direção e ele continuou me ameaçando e acrescentou que eu bati nele. Provavelmente se referindo ao momento em que bati na mesa dele. (veja como nessas horas eles tem um discurso de defesa e falta de responsabilidade por seus atos todo pronto) Foi dureza.... Minhas carnes tremiam todas por dentro. Mas aguentei o tranco até as 17 horas. (isso foi as 15).

Na saída, fui direto pra delegacia. O escrivão, além de pouco escolarizado. Haja vista o documento que ele redigiu, ainda tentou me convencer a não fazer a denúncia. ‘Converse com a mãe dele primeiro, professora’ Fiz o RO. A audiência foi marcada para agosto. Isso certamente não terá grande impacto sobre a vida dele caso seja um homem digno e honesto para o resto de sua vida. Entretanto, se optar por outros caminhos...

Saí de lá às 19 horas e pensando: só terei menos de 12 horas para ficar com minha família.
Cheguei a casa tão cansada que fiz janta e nem jantei. Fui direto pra cama. Acordei como se tivesse tomado uma surra. Fui trabalhar, mesmo assim. Hoje só apareceram 7 alunos. Provavelmente em represália pelo colega que será retirado da turma. 

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