Para mim, esse é o momento mais torturante da escola pública
carioca!!! São tantos elementos de tortura que talvez essa crônica não retrate todos.
Inicio essa reflexão fazendo uma intertextualidade com o
texto do professor Declev postada em 20 de junho de 2011:
"Aí você fala, fala, fala…
Ensina, ensina, ensina…
Se desgasta, briga, luta, corrige…
Você quer que as pessoas percebam o que
[você acha] que seja melhor pra eles (e para coletividade), então conversa,
dialoga, discute.
Ouve (as ideias podem ser diferentes das
suas) e debate. Troca ideias. Reflete sobre elas e pode até mesmo mudar um
pouco, admitindo outras.
Então, com essas outras, você fala,
ensina, briga, discute, troca…
Você lê, aprende, quer ajudar outros a
fazer o mesmo…
Quer melhorar o ambiente da escola,
desenvolvendo ideias, projetos, bons relacionamentos…
Mas a percepção que temos, às vezes, é que
nossa ação é inócua.'
O conselho de classe tem sido um ambiente de terapia de
grupo. Os colegas, diretores, coordenadores expurgam todas as suas angústias de
um bimestre em sala de aula em 4 horas de conselho. Choram, externam seus desesperos com falares
emotivos, desaguam suas angústias com as turmas para a qual ministram e.......
fim . A direção ainda apresenta um vídeo que fala sobre a violência na escola.
Isso ainda funciona como um estimulante aos desabafos.
Quem chegou pouco deprimido sai ainda mais deprimido. Quem chegou
muito deprimido sai direto pra terapia. Observe que não há o que chegou inteiro, ou
seja, não deprimido. Porque isso na educação é quase uma utopia imérita.
Soluções??? Pra quê?? Já que o objetivo era estimular um
desabafo e não resolver o problema! Vejam os modelos:
“A aluna não teve responsabilidade de fazer o trabalho?? A família não
viu isso??? Ora!!!! Nota baixa!!! Conceito I! Ponto! Afinal, eu, na idade dela,
tinha responsabilidade, era punido por minha família, blá blá blá........ “
Colega, acorde!!! Você está tentando enxergar o aluno de
HOJE sob o seu referencial dos anos 80!!! São 30 anos de diferença!!! Três
gerações já se passaram!!! Além disso, os seus colegas de turma e VOCÊ eram
alunos de classe média ou media baixa. Vamos precisar lembrar quantas vezes que
o nosso público não tem NADA MAIS A VER com o público que frequentou a escola
com você, colega!!!! Condenar esse aluno com o Conceito I acentua o
fracasso dele, é verdade. Entretanto, inevitavelmente, mostra a SUA derrota como educador também.
Como educadores, nossa
visão PRECISA ir ALÉM!!! Não dá pra limitar o mundo ao nosso parâmetro. Ao nosso
umbigo. A reflexão filosófica deveria fazer parte do nosso fazer diário. Pelo amor de Paulo Freire, de
Vigothsky, de Jean Piaget!!!
A premissa básica é: esse caminho não está dando certo!!! Isso,
colegas educadores, vocês já sabem!! Nós já sabemos!!! As terapias de grupo só
desgastam para além do seu desgaste individual.
A que se voltar aos teóricos pelo ao menos como uma luz!! Há
que se reestabelecer um novo olhar, um novo parâmetro, um novo referencial! A
que se reaprender a dizer NÃO SEI.
O que estamos fazendo não está fazendo sentido para a
maioria dos alunos! Logo, precisamos entender o que faz sentido para eles!!
Ouvi-los é um caminho!
Mas...... ouvir aluno??? Dar atenção???? Ah não!!!! Isso é
função da família! Eu sou educador e não pai. Sou profissional! Sou blá blá
blá..... Enfim..... nos mantemos nessas falácias, com base e premissas falsas.
E, sendo assim, pagamos o preço com nossa saúde.
Perder tempo ouvindo hoje para me poupar amanhã. Não.....
professor não quer isso! Aluno não quer isso. Família??? Fa... o quê?? E assim
nossa história segue.
E eu?? Estou aqui, no COC, reativando meu BLOG
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