Pular para o conteúdo principal

A primeira agressão a gente nunca mais esquece!

Hoje, pela primeira vez em quase dez anos de magistério, fui agredida por um aluno. Meus alunos, por mais violentos que sejam, são bem tranquilos comigo. Sou normalmente a professora mais querida. pois eles sabem como sou no contexto sala de aula: rigorosa, mas sempre tentando ajudar a todos todo tempo e por isso, me veem de uma forma bem positiva.
Entretanto, o problema hoje foi com um aluno da escola e não meu aluno. Ele entrou em minha sala de aula empurrando a porta e gritando. Eu, é claro, o repreendi por sua atitude agressiva. Ele xingou, gritou, berrou, me ignorou como educadora e, por fim, me agrediu.
Quem me conhece sabe que não abaixei a guarda. Mantive-me na postura de autoridade não abaixei a guarda pra ele. Mas quando percebi a força física dele, evitei tanta proximidade e ainda consegui que ele fosse para a secretaria. Lá, ele me ameaçou de morte e, tão vulneráveis como eu, ficaram as diretoras. Afinal, cada vez menos autonomia a escola tem para agir em casos assim. Chamamos a guarda escolar que só chegou uma hora depois do ocorrido. Talvez......REPITO: talvez, consigamos a remoção dele para outra escola da rede.
Ele não tem pai, a mãe morreu e ele é hoje 'criado' por uma prima que nem a guarda legal dele tem. Ele tem apenas quatorze anos.
O que fazer?
SILENCIAR? Afinal a história de vida do garoto já é uma tragédia: sem pai legítimo, mãe morta no parto da irmã mais nova, irmão bandido preso em uma cadeia paulista, sem ninguém com sua guarda legal....
FALAR? Falar com quem? Liguei para a delegacia de adolescentes infratores e os telefones dispostos na internet não funcionam mais. Liguei para o conselho tutelar e ninguém atendeu. Falar com quem?????IGNORAR? Se eu não pagar a conta como educadora vou pagar essa conta como cidadã, pois esse será o assaltante do meu carro, o sequestrador dos meus sobrinhos, enfim..... vou pagar essa conta DE QUALQUER JEITO. E não pagarei em um amanhã distante não. Pagarei daqui a pouquinho. Quem sabe bem rapidinho. Afinal, saí da escola ameaçada por ele.
Então, o que fazer?
Hoje não tenho palavras, não tenho respostas, só sei chorar.

Comentários

  1. Hoje no JH passou uma reportagem dizendo que no Brasil há uma enorme falta de professores em diversas matérias, tanto no público quanto no privado. Diante de histórias "singelas" como essa a gente se pergunta: Por que será que as pessoas não querem mais ser professoras? :P

    ResponderExcluir
  2. Só soube disso na hora do almoço e nem pude ajudar. Ele foi meu aluno o ano passado e sei muito bem do que vc está falando... Evitei
    um confronto pessoal mas foi difícil...Nestes momentos pensamos até em abandonar o magistério mas tenha força, vai passar. Ainda temos alunos carinhosos e que reconhecem nosso trabalho. Fique bem, querida... Bjs!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

INVISIBILIDADE

A invisibilidade consiste, para nós, seres humanos na incapacidade da luz não ser absorvida e nem refletida em um objeto. Sabemos que esse fenômeno ainda é desconhecido na natureza e, por isso, o vemos tão explorados em filmes de conotação científica. Conhecemos o fenômeno da INVISIBILIDADE SOCIAL termo aplicado quando seres humanos são socialmente ignorados por conta do preconceito ou da indiferença. E no contexto escolar? É possível um aluno passar 8 (oito) anos inserido no universo escolar e NUNCA ser notado? Vamos a história: Esse aluno chegou ao projeto em que trabalho pouco depois de mim, ou seja, no mês de abril. Ele é um aluno muito faltoso e, por isso, demorei a conseguir avaliá-lo. Assim que o fiz, descobri que era analfabeto. Nada inédito. Inadequado em se tratando do projeto em que atuo, mas não inédito e já comentei sobre isso em outras publicações. Enfim, começamos o trabalho com ele. Alfabetizar não é tarefa para todos, ao contrário, é tarefa para muito po...

O ambiente de trabalho

O ambiente de trabalho é um caso a parte. Palavras não fariam jus à estrutura que tenho disponível. Dessa forma resolvi mostrá-la mesmo que sem dar ‘nome aos bois’. Nada de nomes para a escola, direção etc. Só imagens. Que certamente não conseguem captar a real situação, mas darão uma noção superficial do que quero dizer. Veem os basculhantes? todos pintados de verde. Escurecem a sala de aula.  O vidro da porta NÃO EXISTE. Os alunos de outras turmas, TODO TEMPO, colocam a cabeça naquele buraquinho e GRITAM os colegas da minha sala de aula.    Os ventiladores não tem tela de segurança na frente. Os fios estão superficialmente encapados com fita adesiva e sem tomada. Além disso, são absurdamente barulhentos. Ou eles ou a explicação de alguma matéria. Desligo quando vou falar e todos reclamam e prestam muito pouca atenção apesar de toda minha 'presença de palco' e 'oratória perfeita'.rs....   Cadeiras quebradas, armários amassados, depreciados pelo...

Conivência e Complacência: Onde isso irá nos levar?

A maior parte dos pais de alunos com os quais tive que lidar até agora no Município são pais extremamente ausentes. Muitos adotam uma postura de pais presentes, outros de pais desesperados, mas, no dia a dia, no lidar com os alunos. Noto que não é bem assim. São ausentes, distantes e poucos preocupados. Entretanto são sempre muito CONIVENTES com os filhos: são presenteados quase sempre mesmo não havendo datas festivas ou motivos quaisquer para tal, não disciplinam mesmo com nossa solicitação.....Eu, a psicóloga de plantão, sou capaz de dizer que essa postura provavelmente é uma forma de amenizar suas consciências por tanta ausência. Pode ser...... Agora, quando a postura de CONIVÊNCIA associada a COMPLACÊNCIA vem da escola tudo se torna muito mais complicado. Uma escola que pretende mudar sua imagem perante a sociedade não pode e não deve ser conivente com os delitos praticados por seus alunos. São crianças e adolescentes que sairão da escola com a visão de que haverá sempre alguém...